Apresentação                                                                                                      

Lenin Pires e Paula Pimenta -- Editores

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Análise é uma iniciativa editorial do Laboratório de Estudos sobre Conflitos, Cidadania e Segurança Pública. Assim como todas as outras atividades e projetos do LAESP, Análise se inscreve no esforço maior e coletivo de dar continuidade ao processo de construção da Universidade e da Pesquisa no Brasil. No Análise, tal esforço é ampliado pela abertura à colaboração diversificada - que inclui ensaios, análises de conjuntura, notas técnicas, relatos, entre outros –, com vistas à difusão de informações e interpretações qualificadas sobre o momento presente do país e, quiçá, do mundo. 

Trata-se, portanto, de um espaço de publicação aberto a todas as intervenções que avancem o compromisso intelectual de explicitar o que, por vezes, parece invisível. Embora típica do comportamento do cientista, dedicado a desenvolver as capacidades de ver e evidenciar o que está ocultado, muitas são as práticas sociais capazes de colaborar com tal tarefa. Logo, não nos parece próprio fomentar qualquer forma de monopólio corporativo, disciplinar ou institucional para seu exercício.  Por este motivo, ao lado dos critérios formais regulares, o único crivo substantivo adotado na seleção dos textos que publicamos é que a escrita intervenha sobre o que está em branco e explicite o que foi invisibilizado ou silenciado. 

Participam da construção do Análise pesquisadores do LAESP em diversas etapas de formação. Da mesma forma, qualquer pessoa que partilhe dos mesmos interesses intelectuais terá seu trabalho recebido e avaliado pela equipe editorial do Análise, desde que tenha sido observado o critério acima referido. 

A diversidade das formas adotadas por autores com diferentes inscrições não compromete a unidade do Análise. Seu conteúdo se compõe de intervenções curtas sobre temas e problemas cuja centralidade contemporânea move os autores que, ao informarem os leitores, se fazem também atores. Assim, a unidade do acervo do Análisese expressa na orientação, presente em todas as intervenções, de que o pensamento deve ser contemporâneo da ação. 

Quanto à forma das intervenções, merecem comentário a do ensaio e a da análise de conjuntura. Em lugar de adotar formas ‘seguras’, como as prescritas pela ‘boa prática acadêmica’, aquele que se lança à experiência de escrever um ensaio se vê responsável por todas as decisões que compõem o texto. Dessa forma, o autor poderá se abrir às demandas postas pelo conteúdo da interpretação que, então, comunicará ao leitor – o qual obterá do ensaio muito mais do que informações. Por seu turno, a tradição da análise de conjuntura, embora mais dura, trata de temas cuja urgência é contemporânea da escrita. Se pensamento e ação caminham juntos, o tratamento dos problemas do momento demanda esforço analítico. Assim, a forma da análise de conjuntura cristaliza a exigência de fazer a vida intelectual estar em permanente contato com práticas de intervenção. 

     

É urgente contribuir para mudar o mundo.

Os pesquisadores do LAESP mantém animadas práticas conhecidas como características do trabalho do intelectual público. A adoção de formas pelas quais  este último se reconcilia com a sua específica competência para agir, capacita-o para conter a ampliação do paradoxo característico do nosso tempo: a urgência da ação transformadora é mais veloz do que a oportunidade para agir. Diante da contradição, muitos dos homens e mulheres dedicados ao pensamento se veem instados a desistir. 

Nós do LAESP, não. 

Entendemos a atividade do intelectual público como uma forma de resistência. 

Ao constatarmos que, talvez, já não haja tempo suficiente para toda a transformação necessária, ainda assim somos movidos para a ação. Neste ponto, operam duas orientações centrais. A primeira delas é a constatação de que, num ambiente social como o nosso, em que apenas a capacidade de naturalização está à altura da asperezadas circunstâncias, parece caber ao pesquisador treinado mobilizar as tecnologias analíticas que aprendeu a controlar para servir a seus contemporâneos, explicitando aquilo que as muitas formas da opacidade têm obtido tanto sucesso em encobrir. A segunda é um desdobramento da primeira. 

De certa forma, impõe-se ao intelectual público oferecer a seus contemporâneos aquilo cuja promoção caberia aos espaços de formação política, os quais foram  indignamente atacados e, finalmente, fechados ao longo da última década. Às consequências da indisponibilidade de espaços de construção da consciência atribuímos boa parte dos obstáculos que hoje enfrentam as democracias.

 

Como pesquisadores, parece nos caber a tarefa de encampar mais esse desafio. Pois é o pesquisador  quem pode, pelos atributos que construiu, atravessar as muitas camadas de opacidade depositadas sobre a experiência por aqueles que fazem da dominação o seu ofício. Para, com isto, devolver aos atores o que, afinal, a eles pertence: o horizonte da agência sobre o mundo. 

 

Um ator que não dispõe da específica consciência que é necessária para a ação pode, no próximo segundo, alcançá-la. Mas apenas se estiverem presentes as condições. Queremos participar deste processo e, tanto quanto possível, partilhar experiências que ampliem a dimensão da agência dos sujeitos sociais sobre os “esquemas” ou “estruturas” que lhes impõem a inação. E, embora seja uma iniciativa começada e tocada por pesquisadores, concebemos o Análise como um espaço aberto, cujo único critério é aquela urgência.

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